blogueirasfeministas

sim, ela fala por meia hora. mas a gente sequer vê o tempo passar porque num sotaque muito bonito e num carisma tremendos, ela diz que todos deveriam ser FEMINISTAS.

essa palavra que ficam por aí ensinando a achar pejorativa.

blogueirasfeministas:

"We all should be feminists" palestra de Chimamanda Ngozi Adichie no TEDxEuston.

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feministacansada

isso ainda me causa estupefação. maior ainda que a estupefação ao ver que não apenas a PM ainda existe e é legitimada como as pessoas ainda defendem os PMs (ou a PM enquanto corporação) e…

PASMEM!

estão se manifestando em favor de um novo golpe militar.

[ não sei aonde vai este país. mas me assustam algumas das possibilidades ]

blogueirasfeministas:

Matéria do Jornal A Nova Democracia sobre o caso de Claudia Silva Ferreira, baleada numa ação da polícia militar no Morro da Congonha no Rio de Janeiro e que teve o corpo arrastado por uma viatura enquanto era “socorrida”.

No dia 17 de março, moradores do Morro da Congonha, zona norte do Rio, voltaram a protestar em repúdio ao assassinato da auxiliar de serviços gerais Claudia Silva Ferreira, de 38 anos. A trabalhadora foi morta por policiais militares que faziam uma operação na favela na manhã do último domingo. Cláudia foi colocada com vida em um camburão que foi flagrado momentos depois, com o porta-malas aberto e a trabalhadora sendo arrastada por ao menos 250 metros.

A equipe de AND foi à casa de Cláudia conversar com o seu marido, o operário Alexandre Fernandes da Silva. Ele contou como percebeu, antes da divulgação das imagens pelo jornal Extra, que sua esposa havia sido arrastada por policiais.

feministacansada
primeiro que o sujeito pode pegar HPV não apenas de sexo;
segundo que o sujeito homem pode muito bem “se converter” depois de ter pego HPV ou qualquer outra DST;
terceiro que aham, tá, os maridos evangélicos são todos uns santos, a gente vê pela altíssima incidência de violência doméstica entre mulheres evangélicas e casadas com homens evangélicos e, principalmente, pelo alto índice de canalhice entre os fiéis e pastores dessas igrejas (os “escândalos” não são poucos e vão desde crimes financeiros até assassinatos, passando por uma que outra orgia ou sexo exorcizante).
não falo de todos os evangélicos (nem de todos os neopentecostais, que são os mais cegos). nem vou dizer que todos sejam da mesma laia. mas essas “religiões” já foram criadas pra cegar, idiotizar e fornecer rebanho pagante pra alguns criminosos. já existem num regime de repressão e lavagem cerebral, e os comportamentos desses fiéis já demonstram o quão nefasta é essa repressão e lavagem cerebral. eles não fazem sexo fora do casamento ou antes do casamento? fazem, mas culpam o demo, culpam a mulher, culpam a tentação. a igreja não ensina a refletir sobre fidelidade, ela apenas enfia essa ideia na cabeça das pessoas já em estado acrítico (seguidores dessa igreja costumam fechar a mente pra qualquer reflexão… ou não pagariam as custas absurdas desse tipo de dogma) com o objetivo de controlar e até de manter uma aparência de moral. na primeira “tentação”, esses caras fazem o que querem, culpam a mão do diabo, se redimem orando e pagando, se penitenciam, e aí fica tudo bem. e não sou contra religião, sou contra babaquice. e esse tipo de naturalização do comportamento machista - que se transforma em pensamento mágico no dogma dessas “religiões” (tipo “foi o diabo me tentando”) é o grande responsável ainda hoje pela contaminação de mulheres casadas e adolescentes solteiras. a desinformação e a cegueira sobre sexualidade e sexo enquanto ato em si são a outra causa de contaminação. não por acaso a AIDS esteja ainda se propagando, especialmente entre aqueles que estavam longe daquela ideia absurda de grupo de risco.
pertence ao GRUPO DE RISCO aquele/a que não se informa ou não está atento ao seu comportamento. basta achar que nunca vai fazer sexo antes do casamento e que o marido vai ser fiel depois pra fazer sexo despreocupada. é onde está o HPV (e todas as outras DSTs).
me desculpem os que ficam sensíveis me lendo falar de coisas que supostamente seriam agressões aos religiosos. não agrido religiosos, agrido sim seus dogmas - muitos deles baseados em controle e não em reflexão, em lavagem cerebral com intenção de obter lucro por parte de terceiros ou simplesmente baseados em concepções obscuras de mundo que atrasam a eles mesmos e aos outros. quando eu digo que as igrejas evangélicas tem um plano muito bem traçado de tomada de poder, e que isso passa, inequivocamente, pelo controle das massas cegas, desesperadas e/ou acríticas, ninguém acredita. mas elas já conseguiram dois poderes e estão conseguindo o terceiro: já possuem um patrimônio bilhardário; já possuem concessões de mídia em volume suficiente pra difundir seu dogma na forma de doutrinação sensacionalista; já entraram, estão instaladas e crescem cada vez mais no âmbito político. isso, pra mim e pra maioria das mulheres que pensam, é assustador. mas pra TODAS as mulheres isso é nefasto. pra filha de pastora que vai ser exposta ao HPV e aos cânceres relacionados a ele por omissão assumida da mãe; a mocinha que se contamina com alguma doença porque não tem informação nenhuma; a esposa do fiel ou do pastor que apanha em casa porque o marido estava exigindo submissão; a mãe que cria um filho doente ou fruto de estupro ou que leva a gestação adiante porque não pode abortar porque deus vai castigar; todas as mulheres hoje no Brasil que não tem direito a decidir pelo aborto porque a lei ainda está travada em dogmas religiosos; todas as mulheres do Brasil que talvez (tomara que nunca) não possam abortar sequer nos casos em que hoje ainda a lei permite porque em algum momento no futuro de hoje a lei tenha mudado pela mão e obra de bancadas evangélicas na política.
isso me assusta. e revolta.
feministacansada:

Porque nada deixa as pessoas com mais vontade de transar do que levar uma espetada de vacina
via @jessicape15

primeiro que o sujeito pode pegar HPV não apenas de sexo;

segundo que o sujeito homem pode muito bem “se converter” depois de ter pego HPV ou qualquer outra DST;

terceiro que aham, tá, os maridos evangélicos são todos uns santos, a gente vê pela altíssima incidência de violência doméstica entre mulheres evangélicas e casadas com homens evangélicos e, principalmente, pelo alto índice de canalhice entre os fiéis e pastores dessas igrejas (os “escândalos” não são poucos e vão desde crimes financeiros até assassinatos, passando por uma que outra orgia ou sexo exorcizante).

não falo de todos os evangélicos (nem de todos os neopentecostais, que são os mais cegos). nem vou dizer que todos sejam da mesma laia. mas essas “religiões” já foram criadas pra cegar, idiotizar e fornecer rebanho pagante pra alguns criminosos. já existem num regime de repressão e lavagem cerebral, e os comportamentos desses fiéis já demonstram o quão nefasta é essa repressão e lavagem cerebral. eles não fazem sexo fora do casamento ou antes do casamento? fazem, mas culpam o demo, culpam a mulher, culpam a tentação. a igreja não ensina a refletir sobre fidelidade, ela apenas enfia essa ideia na cabeça das pessoas já em estado acrítico (seguidores dessa igreja costumam fechar a mente pra qualquer reflexão… ou não pagariam as custas absurdas desse tipo de dogma) com o objetivo de controlar e até de manter uma aparência de moral. na primeira “tentação”, esses caras fazem o que querem, culpam a mão do diabo, se redimem orando e pagando, se penitenciam, e aí fica tudo bem. e não sou contra religião, sou contra babaquice. e esse tipo de naturalização do comportamento machista - que se transforma em pensamento mágico no dogma dessas “religiões” (tipo “foi o diabo me tentando”) é o grande responsável ainda hoje pela contaminação de mulheres casadas e adolescentes solteiras. a desinformação e a cegueira sobre sexualidade e sexo enquanto ato em si são a outra causa de contaminação. não por acaso a AIDS esteja ainda se propagando, especialmente entre aqueles que estavam longe daquela ideia absurda de grupo de risco.

pertence ao GRUPO DE RISCO aquele/a que não se informa ou não está atento ao seu comportamento. basta achar que nunca vai fazer sexo antes do casamento e que o marido vai ser fiel depois pra fazer sexo despreocupada. é onde está o HPV (e todas as outras DSTs).

me desculpem os que ficam sensíveis me lendo falar de coisas que supostamente seriam agressões aos religiosos. não agrido religiosos, agrido sim seus dogmas - muitos deles baseados em controle e não em reflexão, em lavagem cerebral com intenção de obter lucro por parte de terceiros ou simplesmente baseados em concepções obscuras de mundo que atrasam a eles mesmos e aos outros. quando eu digo que as igrejas evangélicas tem um plano muito bem traçado de tomada de poder, e que isso passa, inequivocamente, pelo controle das massas cegas, desesperadas e/ou acríticas, ninguém acredita. mas elas já conseguiram dois poderes e estão conseguindo o terceiro: já possuem um patrimônio bilhardário; já possuem concessões de mídia em volume suficiente pra difundir seu dogma na forma de doutrinação sensacionalista; já entraram, estão instaladas e crescem cada vez mais no âmbito político. isso, pra mim e pra maioria das mulheres que pensam, é assustador. mas pra TODAS as mulheres isso é nefasto. pra filha de pastora que vai ser exposta ao HPV e aos cânceres relacionados a ele por omissão assumida da mãe; a mocinha que se contamina com alguma doença porque não tem informação nenhuma; a esposa do fiel ou do pastor que apanha em casa porque o marido estava exigindo submissão; a mãe que cria um filho doente ou fruto de estupro ou que leva a gestação adiante porque não pode abortar porque deus vai castigar; todas as mulheres hoje no Brasil que não tem direito a decidir pelo aborto porque a lei ainda está travada em dogmas religiosos; todas as mulheres do Brasil que talvez (tomara que nunca) não possam abortar sequer nos casos em que hoje ainda a lei permite porque em algum momento no futuro de hoje a lei tenha mudado pela mão e obra de bancadas evangélicas na política.

isso me assusta. e revolta.

feministacansada:

Porque nada deixa as pessoas com mais vontade de transar do que levar uma espetada de vacina

via @jessicape15

feministacansada

é claro que o Felipe Neto, seus defensores e os que concordam com esse posicionamento babaca vão dizer que “chegar em homem/mulher” não tem a ver com esses exemplos. bom, tem a ver, sim. primeiro porque o conceito de “agressividade” nessa frase do sujeito tá sendo usado de uma maneira muito estúpida. segundo que… MALE TEARS, né? se o cara reclama de que a mulher chegando nele é agressiva, é porque ele não sabe o quanto uma chegada tipicamente masculina (nem todos os homens fazem isso, só os “típicos representantes dos homens que se acham os reis da conquista”) é normalmente uma intimação. quando o cara é chato, inconveniente e babaquinha mas não “efetua” a violência física propriamente, ainda assim ele:

1. se acha no direito de “levar” toda vez que aborda uma mulher - o que é o que explica os crimes abaixo - e esse se achar no direito inclui incomodar a mulher, constranger e eventualmente até xingar caso não consiga nada. mesmo o mais “romântico” e bonachão carrega consigo esse jeito de abordar todo típico, que é a base desse comportamento violento;

2. não consegue aceitar que possa abordar uma mulher e ela simplesmente não queira nada com ele.

mas aí nós somos agressivas chegando em um cara? seduzir e demonstrar iniciativa e confiança agride vocês, uzomi? puxa, venham aqui com a tia ter uma conversa sobre como as pessoas se sentem agredidas, vem.

feministacansada:

image

aham

image

claro

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somos

image

muito mais

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agressivas.

TODA FEMINISTA É MAL-AMADA
texto sensacional, DAQUI, que vou reproduzir aqui pra ajudar:

Publicado em 4 de fevereiro de 2014 por Luíse B.



(Inspirada pelo meu texto publicado  no incrível Think Olga, compartilho com vocês uma pequena introdução à minha faceta feminista. Enjoy!)
O título alarmante é pra chamar atenção mesmo e dizer que eu concordo com este que é o argumento mais batido daqueles que querem atacar o feminismo. É verdade. Toda feminista é mal amada. E ela só é mal amada porque é mulher. Sou uma delas e posso dizer que sou, sim, muito mal amada.
Sou mal amada desde criancinha quando me ensinaram que o meu mundo era um tanto quanto limitado. Na escolinha onde estudei até a quarta série (não sei o equivalente no mundo atual), o único brinquedo que havia no pátio era uma mesa de totó. Muito velha, muito capenga, mas era um sucesso – e exclusiva para os meninos. Eu já não gostava de futebol, mas tinha tanta vontade de brincar naquilo! E o fato de não poder me angustiava. Era a primeira de muitas experiências do tipo.
Conforme fui crescendo, descobri que a mídia também não me amava. Não fui amada por todas as novelas que retratavam somente mulheres que não se pareciam em nada comigo (ou com a maioria das mulheres que eu conheço); não fui amada pelos noticiários que tratam mulheres poderosas com desdém, focando por vezes em seus atributos físicos em detrimento de sua intelectualidade e conquistas alcançadas; não fui amada pelas revistas que me davam 101 conselhos para enlouquecer um homem e nenhum para me manter sã em meio a tanta pressão; não fui amada pelas receitas de emagrecimento que me adoeceram em busca de um ideal que só satisfaria aos outros; não fui amada pelas dicas de maquiagem que esconderiam as minhas imperfeições – e que me apontaram muito bem quais são elas.
Certamente não sou amada por uma sociedade que me condena se eu preservar a minha sexualidade (Puritana! Fresca! Cu doce! Sonsa!) e me condena se eu vivê-la livremente (Puta! Vagabunda! Piranha!); não sou amada por homens cada vez mais exigentes em aparência física e que dão notas de 0 a 10 para o meu corpo, analisando se sou digna ou não de sua afetividade; não sou amada pelas mulheres que, vítimas dessa realidade, me veem como ameaça, como inimiga, como alguém que está com inveja do que elas têm ou são ou, pior, como alguém que quer roubar o companheiro delas; não sou amada por uma conjuntura social em que as minhas roupas são vistas como determinantes da minha personalidade; não sou amada numa cidade sitiada por tarados, na qual devo evitar ruas, roupas e horários para não ser atacada; não sou amada por aqueles que culpam as mulheres em caso de assédio ou estupro contra elas.
Também não me ama o mercado de trabalho, que me oferece uma remuneração menor e, no fundo, torce o nariz para a minha maternidade; não sou amada pelas piadinhas sujas que ouço calada de meus superiores e colegas, por medo de perder o emprego em caso de denúncia; não sou amada ao ser chamada a atenção por excesso/falta de maquiagem; não sou amada por uma maioria masculina em cargos de chefia; não sou amada pela desconfiança de como consegui meu emprego ou uma promoção.
Sou mal amada porque, se eu não casar até uma certa idade, ninguém mais vai me querer! Nem se eu engordar, nem se eu emagrecer demais, nem se eu for muito poderosa (porque isso ~assusta~), nem se eu for muito submissa, nem se eu for muito inteligente, nem se eu for muito burra, nem se eu não me depilar, nem se eu falar palavrão, nem se eu gostar de sair à noite, nem se eu quiser compromisso sério, nem se eu não quiser compromisso sério. Não sou amada quando querem que eu, solteira, namore (só por namorar, só por ter alguém, só pra ter um homem que me ~assuma~); namorando, que eu case; casada, que tenha filho; com um filho, que tenha mais; com mais, que eu tome cuidado pra não embarangar e perder o marido. Não sou amada quando me dizem pra ter cuidado, hein, senão ele arranja outra!!!
A publicidade, então, me odeia! Afinal, não me vejo nos anúncios e sempre me pedem para mudar, seja meu cabelo, meu carro, minha cerveja, meu absorvente, minha barriga, meu molho de tomate, meus sapatos, meu hálito, meu refrigerante, meu provedor de internet, sempre me lembrando de que, assim, eu vou ficar mais gostosa, mais atraente, mais feliz, mais segura, mais tranquila -e menos eu. Porque, não adianta, eu nunca tô 100%. Eu nunca sou suficiente. Como, então, posso me sentir amada?
Se eu fosse amada (veja bem, não digo nem BEM amada, o que seria muito melhor. Só amor já ajudaria!), não reclamaria; não me sentiria feia, nem gorda, nem deslocada, nem magra, nem incapaz. Poderia circular livremente pelas ruas da minha cidade vestindo o que eu bem entendesse, sem que ninguém se sentisse no direito de opinar sobre o meu corpo ou me dissesse o que gostaria de fazer com ele. Ah, se eu fosse amada, seria valorizada em qualquer setor que eu desejasse trabalhar. E leria publicações femininas que falassem mais sobre mim, e menos sobre o que querem os homens. Se eu fosse amada, realmente, em todos os aspectos da minha vida, eu definitivamente não precisaria ser feminista, nem lutar por condições mínimas de liberdade para a mulher.
Não sendo o caso, sou mal amada e, sendo assim, só me resta ser feminista.

TODA FEMINISTA É MAL-AMADA

texto sensacional, DAQUI, que vou reproduzir aqui pra ajudar:

(Inspirada pelo meu texto publicado  no incrível Think Olga, compartilho com vocês uma pequena introdução à minha faceta feminista. Enjoy!)

O título alarmante é pra chamar atenção mesmo e dizer que eu concordo com este que é o argumento mais batido daqueles que querem atacar o feminismo. É verdade. Toda feminista é mal amada. E ela só é mal amada porque é mulher. Sou uma delas e posso dizer que sou, sim, muito mal amada.

Sou mal amada desde criancinha quando me ensinaram que o meu mundo era um tanto quanto limitado. Na escolinha onde estudei até a quarta série (não sei o equivalente no mundo atual), o único brinquedo que havia no pátio era uma mesa de totó. Muito velha, muito capenga, mas era um sucesso – e exclusiva para os meninos. Eu já não gostava de futebol, mas tinha tanta vontade de brincar naquilo! E o fato de não poder me angustiava. Era a primeira de muitas experiências do tipo.

Conforme fui crescendo, descobri que a mídia também não me amava. Não fui amada por todas as novelas que retratavam somente mulheres que não se pareciam em nada comigo (ou com a maioria das mulheres que eu conheço); não fui amada pelos noticiários que tratam mulheres poderosas com desdém, focando por vezes em seus atributos físicos em detrimento de sua intelectualidade e conquistas alcançadas; não fui amada pelas revistas que me davam 101 conselhos para enlouquecer um homem e nenhum para me manter sã em meio a tanta pressão; não fui amada pelas receitas de emagrecimento que me adoeceram em busca de um ideal que só satisfaria aos outros; não fui amada pelas dicas de maquiagem que esconderiam as minhas imperfeições – e que me apontaram muito bem quais são elas.

Certamente não sou amada por uma sociedade que me condena se eu preservar a minha sexualidade (Puritana! Fresca! Cu doce! Sonsa!) e me condena se eu vivê-la livremente (Puta! Vagabunda! Piranha!); não sou amada por homens cada vez mais exigentes em aparência física e que dão notas de 0 a 10 para o meu corpo, analisando se sou digna ou não de sua afetividade; não sou amada pelas mulheres que, vítimas dessa realidade, me veem como ameaça, como inimiga, como alguém que está com inveja do que elas têm ou são ou, pior, como alguém que quer roubar o companheiro delas; não sou amada por uma conjuntura social em que as minhas roupas são vistas como determinantes da minha personalidade; não sou amada numa cidade sitiada por tarados, na qual devo evitar ruas, roupas e horários para não ser atacada; não sou amada por aqueles que culpam as mulheres em caso de assédio ou estupro contra elas.

Também não me ama o mercado de trabalho, que me oferece uma remuneração menor e, no fundo, torce o nariz para a minha maternidade; não sou amada pelas piadinhas sujas que ouço calada de meus superiores e colegas, por medo de perder o emprego em caso de denúncia; não sou amada ao ser chamada a atenção por excesso/falta de maquiagem; não sou amada por uma maioria masculina em cargos de chefia; não sou amada pela desconfiança de como consegui meu emprego ou uma promoção.

Sou mal amada porque, se eu não casar até uma certa idade, ninguém mais vai me querer! Nem se eu engordar, nem se eu emagrecer demais, nem se eu for muito poderosa (porque isso ~assusta~), nem se eu for muito submissa, nem se eu for muito inteligente, nem se eu for muito burra, nem se eu não me depilar, nem se eu falar palavrão, nem se eu gostar de sair à noite, nem se eu quiser compromisso sério, nem se eu não quiser compromisso sério. Não sou amada quando querem que eu, solteira, namore (só por namorar, só por ter alguém, só pra ter um homem que me ~assuma~); namorando, que eu case; casada, que tenha filho; com um filho, que tenha mais; com mais, que eu tome cuidado pra não embarangar e perder o marido. Não sou amada quando me dizem pra ter cuidado, hein, senão ele arranja outra!!!

A publicidade, então, me odeia! Afinal, não me vejo nos anúncios e sempre me pedem para mudar, seja meu cabelo, meu carro, minha cerveja, meu absorvente, minha barriga, meu molho de tomate, meus sapatos, meu hálito, meu refrigerante, meu provedor de internet, sempre me lembrando de que, assim, eu vou ficar mais gostosa, mais atraente, mais feliz, mais segura, mais tranquila -e menos eu. Porque, não adianta, eu nunca tô 100%. Eu nunca sou suficiente. Como, então, posso me sentir amada?

Se eu fosse amada (veja bem, não digo nem BEM amada, o que seria muito melhor. Só amor já ajudaria!), não reclamaria; não me sentiria feia, nem gorda, nem deslocada, nem magra, nem incapaz. Poderia circular livremente pelas ruas da minha cidade vestindo o que eu bem entendesse, sem que ninguém se sentisse no direito de opinar sobre o meu corpo ou me dissesse o que gostaria de fazer com ele. Ah, se eu fosse amada, seria valorizada em qualquer setor que eu desejasse trabalhar. E leria publicações femininas que falassem mais sobre mim, e menos sobre o que querem os homens. Se eu fosse amada, realmente, em todos os aspectos da minha vida, eu definitivamente não precisaria ser feminista, nem lutar por condições mínimas de liberdade para a mulher.

Não sendo o caso, sou mal amada e, sendo assim, só me resta ser feminista.